Brasil

Antropofagia (Társila do Amaral, 1929)

———

Nada más pedí –
nada más se me negó –
mi Ser – a cambio – ofrecí –
el Rico Comerciante se burló –

¿Brasil? Hizo girar un Botón –
sin siquiera mirarme –
“pero – Mujer – ¿no habrá alguna otra cosa –
que Hoy – podamos mostrarle?”

Emily Dickinson

(tr. tera)

———

I ASKED no other thing – / No other – was denied – / I offered Being – for it – / The Mighty Merchant sneered – // Brazil? He twirled a Button – / Without a glance my way – / “But – Madam – is there nothing else – / That we can show – Today?”

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3 comentarios sobre “Brasil”

  1. “Eu podia abrir um mapa: “o corpo” com relevos crepitantes
    e depressões e veias hidrográficas e tudo o mais
    morosas linhas e gravações um pouco obscuras
    quando “ler” se fendia nalguma parte um buraco
    que chegava repentinamente de dentro
    a clareira arremessada pelo sono acima
    insónia vulcânica sala contendo toda a febre “táctil”
    furibunda maneira
    esse era então uma espécie de “lugar interno”
    áspera geologia alcalina e varrida e crua
    exposta asssim à leitura que se esqueceu do seu medo”

    Herberto Helder. Antropofagias (Texto 4)

  2. Mulheres correndo, correndo pela noite.
    O som de mulheres correndo, lembradas, correndo
    como éguas abertas, como sonoras
    corredores magnólias.
    Mulheres pela noite dentro levando nas patas
    grandiosos lenços brancos.
    Correndo com lenços muito vivos nas patas
    pela noite dentro.
    Lenços vivos com suas patas abertas
    como magnólias
    correndo, lembradas, patas pela noite
    viva. Levando, lembrando, correndo.

    É o som delas batendo como estrelas
    nas portas. O céu por cima, as crinas negras
    batendo: é o som delas. Lembradas,
    correndo. Estrelas. Eu ouçco: passam, lembrando.
    As grandiosas patas brancas abertas no som,
    à porta, com o céu lembrando.
    Crinas correndo pela noite, lenços vivos
    batendo como magnólias levadas pela noite,
    abertas, correndo, lembrando.

    De repente, as letras. O rosto sufocado como
    se fosse abril num canto da noite.
    O rosto no meio das letras, sufocado a um canto,
    de repente.
    Mulheres correndo, de porta em porta, com lenços
    sufocados, lembrando letras, evando
    lenços, letras – nas patas
    negras, grandiosamente abertas.
    Como se fosse abril, sufocadas no meio.
    Era o som delas, como se fosse abril a um canto
    da noite, lembrando.

    Ouço: são elas que partem. E levam
    o sangue cheio de letras, as patas floridas
    sobre a cabeça, correndo, pensando.
    Atiram-se para a noite com o sonho terrível
    de um lenço vivo.
    E vão batendo com as estrelas nas portas. E sobre
    a cabeça branca, as patas lembrando
    pela noite dentro.
    O rosto sufocado, o som abrindo, muito
    lembrado. E a cabeça correndo, e eu ouço:
    são elas que partem, pensando.

    Então acordo de dentro e, lembrando, fico
    de lado. E ouço correr, levando
    grandiosos lenços contra a noite com estrelas
    batendo nas patas
    como magnólias pensando, abertas, correndo.
    Ouço de lado: é o som. São elas, lembrando
    de lado, com as patas
    no meio das letras, o rosto sufocado
    correndo pelas portas grandiosas, as crinas
    brancas batendo. E eu ouço: é o som delas
    com as patas negras, com as magnólias negras
    contra a noite.

    Correndo, lembrando, batendo.

    (Herberto Helder)

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